Tudo turvo e confuso...
...como disse Mel. Melhor definição não há.
Eu estava encima do muro, como criança antes de cair e quebrar o braço. Não achava certo segurar os dois. Decidi: se há dúvida, melhor repensar(mos).
Se foi o melhor, só o tempo dirá; mas que dói, dói. Muito.
Ananias foi o primeiro a saber; foi lá em casa e me viu com o rosto vermelho.
-Estava dormindo?
Fiz que não com a cabeça enquanto abria o portão.
-Estava chorando?
Ele me abraçou e eu desabei de vez.
Contei o que aconteceu a ele:
- A crush?
- É... mais ou menos...
- Olha, paixonites vão acontecer sempre. Cabe a você sentar com a pessoa e dizer "eu te amo, mas como podemos resolver isto juntos?".
Foi uma boa resposta. Mas talvez fosse tarde demais.
À noite teve a festa na Taj Mahal, que segundo o próprio Nanas, "nunca tinha visto cena mais linda em toda minha vida: 120 litros de cerveja! E você vai".
Fui.
Fui junto com as meninas de Letras, afinal a festa era integração das turmas de Psicologia, Letras, Biologia e História. Só gente bonita.
Ceva pra lá, ceva pra cá, um Led Zepelin que tocava abafado pelo som de um grupinho que insistia em cantar pagode e Ananias me chamou:
- Quero te mostrar uma coisa.
Segui-o.
Quando chegamos no quarto, lá estava: linda e dourada, encima da cama, escritos em espanhol e legítmamente mexicana, tequila.
O sal já estava a postos; apenas o limão estava em falta.
Ah, mas como era boa...
Sentamos no sofá/colchão na sala e estava tocando Black Sabbath.
- Niiiiiias, ele gostava de Black Sabbath...!
- Não, você gosta de Black Sabbath!
Apenas um desabafo.
A festa continou, eu bebi mais... Abracei mais pessoas... Bebi mais... Abracei mais amigos...
Até que chegou a hora de ir embora. Daniel me levou em casa.
Processo natural da vida: bebedeira para afogar as mágoas -> alegria alegria -> deitar -> chamar o hugo -> deitar e dormir onde se está.
Há muito não ficava um pouco acima da minha conta. Ainda bem que eu sabia (em termos) o que fazia e que eu estava com meus amigos e ouvindo rock, e não desabafando com o garçom de um bar ouvindo Reginaldo Rossi...
Não sei o que pode acontecer daqui para frente. A amizade ambos queremos manter; uma possível volta, eu não duvido, mas depois de tantas idas e vindas... Lógico que deixa insegurança.
O tempo (de Deus) fala o que será melhor.
Até o próximo capítulo dessa novela...
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