Algumas pessoas já sabem um dos meus conflitos quando criança: eu detestava quando me diziam:
-Engula o choro.
Para mim, é um atendado grave aos direitos humanos de qualquer pessoa lhe dizer isto. Há maneiras diferentes de acalmar alguém para que se faça parar.
Entretanto, eu continuo como sempre: chorona. Quando sinto um aperto forte no peito, choro. Uma vez (acredito que já comentei isto por aqui), me disseram ainda:
-Chorar é algo infantil.
Ah, não sabem a raiva e a sensação de estar acuada, presa. Ora, quando choro muito, as rugas, as lágrimas, o rosto vermleho, os olhos inchadosa dor de cabeça que sinto após chorar horas a fio, tudo sou eu que sinto. Sei que muitos não gostam de me chorar por acharem que significar tristeza, mas é minha expressão de alívio. É como se enchesses um copo de requeijão e pedisse a ele que não transbordasse. Entretanto, o copo não tem vontades e nem sentimentos. Nós sim.
Porém, há um tempo eu me vejo resistindo às minhas próprias lágrimas. Isso não significa lutar ou bater na própria face dizendo "Está tudo bem". Isso significa não ter (ou não procurar) alguém para poder "me consolar". Consequentemente, resta meu travesseiro e meus bichos de pelúcia para me aguentarem (o lado bom é que eles estão sempre sorrindo). Prefiro então me aquetar em meus pensamentos.
Não acho que seja engolir o choro. É apenas refletir e buscar respostas (Danny: pensei no que já discutimos a respeito).
E isso, no final de tudo, é crescer (nunca paramos; nunca amadurecemos o suficiente).
Crescer... deixarei o chorar para os bebês.
Porque até "o cinza dos céus da vida também faz parte do arco-íris".
ResponderExcluirÉ verdade. Eu acho que choro pouco - exceto final de semestre com o Lu. Nunca parei para pensar sobre isso... Mas vou me lembrar de deixar as pessoas chorarem (ou chorar junto com elas)...
Acho que é um escape íntimo de alívio. Geralmente, para as outras pessoas costumo conversar sobre o que me aflige e, freqüentemente percebo que tenho sorte: por saber sofrer, por poder crescer, por ter amigos, por ser humana - talvez por isso eu chore pouco.
Uma das minhas filosofias de vida é de que a felicidade é um estado; um estar. Porém, ser feliz depende muito de como encaramos o decorrer da própria vida - tudo de bom e de mau está conosco, a questão é: qual merece mais investimento e atenção?
Bom, mas só pode investir no "bom" quem reconhece o "mau" e sabe sentir, e sabe sofrer.