
Não pelo filme.
Vejo o quanto amor precisa de estabilidade e de duas pessoas se desejarem profundamente. Uma vez li que Romeu e Julieta não eram mais que crianças, adolescentes de doze a catorze anos que descobriram (talvez acharam) que se amavam. É o primeiro amor, aquela idéia de que durará até depois da morte.
Quando assisto ao tão criticado Crepúsculo e afins, não me atenho à Bella Swan, Edward Cullen ou Jacob, o lobisomem sem pêlos e sem camisa. É a própria sensação e a atração que me despertam que chamam a atenção. Atração espontânea por quem está há alguns metros, talvez alguns quilômetros longe de mim: ele.
Receio dizer que há amor de uma vida inteira; todos os amores que tive vivenciei como se fossem durar para sempre. Com o passar do tempo, vi que o para sempre pode não durar para tão sempre assim, mas deixa marcas. A não ser que tenhamos amnésia, não podemos esquecer. Ligado a isso, as sensações sentimos em alguns lugares específicos: peito e um pouco mais abaixo... genitalmente (se a lembrança for agradável pode propiciar um "e se tivesse continuado...").
Quando vejo materiais da saga dos vampiros dito cujos, essas sensações me remetem a um ser humano em especial: aquele que pôs em meu dedo a aliança que uso atualmente.
Um fato curioso: nossas alianças não tem nome sequer data gravada internamente.
Com os ouvidos atentos, soube a história da Saga completa. O final é feliz e bonito. Este otimismo que remete ao meu interesse em assistir a febre adolescente. O amor que vivo não é por alguém imortal, sanguinário, belo e frio. Sei que posso olhar para o lado e ver que ele não é um vampiro, não é alto, não é pálido como uma mandioca, não vive na floresta e sequer usa laquê no cabelo. Ele é, sim, branco com os cabelos e os olhos negros como jabuticabas, tem a altura exata (abraço-o e ponho minha cabeça em seu ombro), é irresistivelmente magro, é músico e romântico. Olha-me como nunca ninguém ousou me olhar. É intelectualmente fortíssimo e quando está bem perto é como se eu andasse em nuvens.
Ao invés de um amor impossível, vivemos a mais possível das realidades. Porém, não basta. Desde que o conheci, me tornei uma pessoas melhor, e isso é o nosso desafio: sermos sempre perfeitos um para o outro (não para a tela de cinema e para as fãs enlouquecidas).
Ele não é meu Edward Cullen. Ele é aquele que verdadeiramente amo.
E o Resto, termino:
"... que não seja imortal, posto que é chama
mas que seja infinito enquanto dure."
(Soneto de Fidelidade, Vinícius de Moraes)
Carambolas!
ResponderExcluirAmei!