Pelo quê?
Eu não me aguentei, chorei à frente delas (considero-as e lhes confio muito):
- Tenho medo de não tomar partido [na situação em questão] e parecer uma ameba. Ou então, se eu concordar e ir até o fim, uma revolucionária. Mas estou cansada de tantas opiniões, tantas posições diferentes. Apenas quero que isso se resolva logo.
Explico.
Não é de agora que me percebo com o coração batendo preocupado com as situações alheias. Lembro-me que a primeira vez foi em meados de maio/junho de 2009, quando os funcionários e professores das universidades estaduais Unesp, Unicamp e USP entraram em greve.
Fui à assembléia dos funcionários que fora aberta aos alunos. Recordo vaga(rosa)mente que a principal reivindiação era o aumento de seus salários; ele não havia crescido proporcionalmente aos anos anteriores, declinando em função da inflação e por aí Economia afora. Eles pediam apoio, contestavam nossa imparcialidade. Senti que precisava fazer algo pela minha faculdade.
Cheguei em casa contando tudo o que havia ouvido; mandei um email à minha classe pedindo mobilização; faltei em uma aula para ir à Assembléia dos alunos. Em vão.
A Assembléia discente demorou muito mais do que eu esperava: por volta de três horas. Eles rodaram, discutiram, anotaram, mudaram o lugar, ouvimos relatos e nada foi concluído. Note, leitor: nada foi concluído a respeito do que seria o motivo final da luta. Fui-me embora.
No final, a greve foi feita; os alunos apoiaram os funcionários, mas estes não apoiaram aqueles. Ficamos sem aula dois meses. Quando retornamos, ao final de julho, não fiquei 24 horas em Assis: o surto de Gripe A (gripe suína) se alastrou. Voltamos às casas de nossos pais. Aulas somente em setembro.
Por estes dias, topei-me com uma nova situação: uma discussão unilateral entre professor e aluna. Ao saber do ocorrido, fiquei abismada; sob minha inicial ótica e a ótica dos que me contaram, o professor humilhou a aluna em pleno corredor do prédio de Psicologia. Em uma acalorada discussão entre nós, alunos e amigos (diria que foi até mesmo bela), decidimos que era preciso fazer alguma coisa, pois poderia ter ocorrido com qualquer um que nós fosse. E oras, somos seres humanos e exigimos respeito!
Mais uma vez a minha visão mudou.
Estava disposta a me juntar ao grupo protestante e ir tirar satisfações com o professor tido como tirano. Novamente, ouvimos relatos, as opiniões se modificaram, e eu me juntei às opiniões alheias (algumas do próprio grupo que discutia linhas atrás), sendo mais pacificas, fáceis e acalentadoras.
No fogo cruzado, fui ter com as amigas de casa. Expus tais opiniões que ao meu ver diminuiam a tendência de uma briga entre sala/professor e que para mim faziam mais sentido. Elas também tinham argumentos:
- E no Rodeio das Gordas, e se nós tivessemos ficado quietos? A [aluna] pode também não ter forças para se expôr perante o [professor] e exigir respeito.
Tive de concordar.
Após mais algumas argumentações minhas sem muito retorno de concordância da parte oposta, pus-me a chorar como lhes disse logo no começo.
- Você não é obrigada a tomar um partido, simplesmente não precisa. Também já não me motivei em uma série de coisas. Mas esta abalou o que eu considero respeito e eu não quero ficar quieta.
No final, para o professor, a aluna havia sido mesmo a culpada; para a sala, nada justificava a atitude de ter-lhe imposto hierarquia e sair a gritar e especular com esta, sequer deixando-a explicar. Os alunos posicionaram-se e a situação foi resolvida. Sem ressentimentos (espero).
E para terminar, minha última angústia se encontra em um de meus trabalhos extra-curriculares. Quando entrei na faculdade, palavras e expressçoes tais como Ciência, iniciação científica, projeto de extensão e por aí afora foram ganhando necessidade em minhas prioridades. Não me sentia tão somente satisfeita com as aulas; eu quero mais.
Imaginem, portanto, leitores: um projeto lindo; pessoas intelectualmente inteligentes ligadas a este trabalho; una-o com o reconhecimento que se proverá por fazeres parte de algo tão original. Mexa tudo. Entretanto, para uma das pessoas faltou tal qual o fermento do bolo: a afinidade entre os participantes de tal trabalho. Não suportei. Hesitei.
Fica então a questão: qual o seu limite, caríssimo leitor? Até onde vai a sua capacidade de resiliência para resistir às frustrações e superar tudo em nome daquilo que acredita?
Estou buscando e atingindo o meu.
É bem... O Resto está por vir...
Conhecendo essa pequena criatura como não sei quem, e tenho uma certeza que beira limites colossais de que serei um dos poucos nessa presença que saberei tão bem sobre, penso no que escreveu. Não penso apenas no fator " universitário ", nem mesmo apenas em " limites " , mas em Respeito.
ResponderExcluirSou uma pessoa extremamente parcial quando se trata de análises comportamentais e proteção aos mais fracos e menos providos de " poder ".Mas, aprendi com os dias que se vão, que imparcialidade é a melhor arma. Imparcialidade, não incerteza. Não fico " em cima do muro ", como dizem os populares, eu apenas não deixo sentimentos e personalidade, até mesmo amizades e/ou inimizades interferirem. É algo que fere. Considero até auto-flagelação, mas, ser justo não significa ser parcial.
Segunda coisa, crucial para uma vida melhor : muitos abusam por ter " status ", ou, um posto melhor, e assim por diante, e isso existe há milênios, e existirá sempre que poucos forem os que se preocupam com o coletivo e o alheio. E se preocupem no sentido justo, também, não na forma de Inveja e Fofocas, o que eu vejo muito.
Nunca, em qualquer momento, falarei para desistir de ajudar os outros, ou que se segure. Isso é você, essa personalidade e essa energia hiperativa é o que faz você especial, então, não a perca. Mas saiba, existem limitações, e quando ultrapassamos e nos desgastamos, não fazemos NADA direito. Aceitar e compreender esses pequenos momentos a farão melhor.
Quanto ao ponto do trabalho e querer, ter essa vontade de crescer e aprender mais, eu utilizo um ditado popular - " Amigos, amigos, negócios a parte! ". Você entende minhas metáforas e ideias jogadas, sei disso.
Para finalizar, definitivamente, já fiz um comentário do tamanho de seu desabafo, confie sempre que seu coração a levará ao melhor lugar e decidir a melhor coisa, porém, não esqueça de si pelos outros SEMPRE, já que você não tem superpoderes e nem voa, e etc. E sobre os que abusam e etc, compreenda que elas nunca serão nada mais que recheadas de energia negativa daqueles que os odeiam e sentem nojo.
aôooo quebra tudo msm!!
ResponderExcluirq não seja experiência em animais tá bão haha