sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Panela de Pressão

Funciona bem e rápido, mas tem que ter cuidado...

Conversávamos e ela me disse que o seu supervisor aconselhou-a a rever o modo de trabalho debaixo de stress, cobrança, prazos curtos e pressão. Comecei a rir freneticamente quando ela disse:
- O pior é que sei que faço as coisas nas últimas horas, mas com qualidade. Posso fazer correndo, mas fica bom.
Identifiquei-me.

Tenho pavor de entregar coisas mal escritas aos professores, avaliadores, supervisores, amadores e dementadores. Quando o assunto é prova, estudo, paro, penso, reflito, dou o melhor de mim (há os docentes que querem ouvir exatamente o que querem ouvir, aí complica); para trabalhos escritos (e na vida), gosto de ir do micro para o macro. Começo retomando o passado, a história, avanço passando e chego onde quero chegar. Fundamento.

Sabia que esta semana eu tinha quatro trabalhos a entregar, três reuniões, um projeto de extensão, dois eventos da faculdade, uma confraternização e um bazar.

Segunda-feira discutimos. Ela jogou, eu retruquei. Nada demais, mas...
As coisas se embaralharam, todos os compromissos acadêmicos, os problemas acerca do teto sobre a minha cabeça (espero nunca trabalhar em uma imobiliária), doenças familiares.
Pensei (ainda penso, todavia, mais enfraquecidamente) em deixar tudo, começar (pela quarta vez) uma nova independência, novos vínculos.
Seu Davi, cobra barato e faz as mudanças sem quebrar nada e sempre usa o mesmo macacão cinza (ele deve dormir com aquele macacão), uma vez disse:
- Eita nóis, vocês são piores que ciganos.

Pegarei o caminho rumo aos conselhos sábios daquele me forneceu os genes para estes olhos falsamente orientais (sou mais cabocla do que os leitores pensam).

Hoje, após chorar as minhas pitangas e jabuticabas ao meu orientador, quando saía pelo corredor ele me disse:
- Não sabia que você cantava!
Um sorriiiiso eu abri.
- Sim! Tenho uma banda! E você toca guitarra, não é?
- Sim, tocarei com minha banda de Ribeirão Preto [ele fez USP/Ribeirão] no encerramento do Festival da Palavra, a Missionários do Blues.
O orientando dele toca bateria na minha banda e duas das meninas que moram comigo também fazem trabalho acadêmicos com o guitarrista (solo ou base?) do Missionários do Blues.

Além de orientanda sou tiete.

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