quarta-feira, 25 de julho de 2012

Desejos Insólitos

Prazeres ameliepoulainianos

Quando sozinha
adoro ler antes de dormir
e dormir de óculos, até o livro cair das mãos.

Vou experimentando
antes de estar pronto,
a maçã (e a mistura pronta) do bolo, o brócolis do macarrão, a gorgonzola do frango ao molho, o vinho do jantar, o café,
de pouquinho em pouquinho,
até sobrar um pouco de fome e um monte de apetite.

Uma alma me chama
de última hora 
para um programa, qual for. 
Festas, jantares, bares, pôr-do-sol.
Mas estou com minha bolsa e a roupa do corpo:
all star, rímel e batom vermelho.
Em pensamento, aceito sem pensar,
pensando nos grandes amigos
ótimas companhias
que não conheço.

Imensa graça
beirando uma inocente piada,
quando perguntam se sou nipônica ou semelhante.
Tenho a resposta fina como meus dedos,
propícia para conversas promissoras.

Conversar por horas (sintoma de apreço)
com ou sem bebidas
nas mesas
na calçada, no carro, 
no telefone,
no computador
por telepatia,
sem palavras
até o sono vencer arduamente
ou correr o mais belo dos riscos
de assumir responsabilidade.


Ser cortejada
mui discretamente
que quando não se percebe
os olhares estão profundos
e as mãos teimosas estão dadas.


Que me encostem no muro,
andem até o quarto,
deitem lentamente na cama,
sem parar de beijar.

-Empresta-me uma roupa?
É a desculpa favorita,
usar roupas masculinas para dormir
acordar com a camiseta de alguma banda
à luz do sol
que anuncia que a noite anterior

não foi um sonho.


E por fim,
apaixonar pelo improvável
que seja por uns dias,
mesmo sem retorno,
mas para dar tempo ao coração bater forte
e eu ter histórias para contar
a mim mesma.

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