domingo, 7 de janeiro de 2018

Náufraga

"Mar tranquilo nunca fez bom marinheiro"

Passei meses à deriva no mar, náufraga e sozinha. Recebia mensagens dentro de garrafas que aos poucos foram ficando cada vez mais escassas e esvaziadas de sentimentos. Neste tempo esbarrei em outros navegantes que desejavam subir no meu bote ainda com furos, mas nenhum era capaz de ajudar a tamponá-los por muito tempo.

Em alguns momentos ía para o continente, abastecia-me em ilhas com o afeto das pessoas mas não podia ficar muito, precisava me lançar novamente com meu bote no mar de tubarões, encarar as tempestades e esperar que em um belo dia eu conseguisse chegar novamente na América e gritar:
- Pirassununga à vista!

Um belo dia fui ao continente beber em um bar e topei com um artista.
- Artistas tem a alma livre, não há de durar - pensei.
Ele toca gaita enquanto permaneço deitada na grama  embaixo de uma árvore olhando para o céu. Os buracos, que já eram bem menores, se fecharam.

Eu desisti de ir para a América ao sabor do vento. Icei as velas e tomei um rumo desbravando o mar conforme a minha bússola-coração aponta para o norte.

Que 2018 seja repleto de inspiração.
Vanguart - E o Meu Peito Mais Aberto que O Mar da Bahia

Promessa de Ano Novo: me livro. 

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