terça-feira, 6 de março de 2018

Horcrux

Novamente eu me peguei pensando em assassinar todos os restantes pedaços seus
Da minha vida.

Você quebrou meu coração e eu tentei, por meses, sobreviver a esse câncer. Ele metastaseou pelo meu ser, mas através do tempo consegui controlá-lo. 

Agora ele anuncia um retorno. E eu já não posso mais suportar uma falsa esperança de que está tudo bem.

Preciso assassinar qualquer chance de volta, qualquer esperança ínfima e ridícula de que o destino é surpreendente, de que o mundo dá voltas. Você, definitivamente, não merece minha piedade.

Nesse período eu tentei achar incansavelmente meus erros, que na realidade são seus.

Então, de uma vez por todas, eu preciso destruir todas as horcrux que ainda existem: seu contato e seus presentes.

Eles são a memória que eu pedi aos céus para apagar. A coragem falta, mas eu não posso mais deixar você ocupar esse espaço na minha vida. Você optou por me deixar e eu escolho te tirar de cena de vez.

Para colocar em prática, preciso de cúmplices. De preferência os mesmos que, desde o início me deram apoio.
Ainda assim, é importante ter um elemento neutro que apenas aceite fazer o serviço: dar fim a tudo que ainda faz existir você em mim.

E essa é a última esperança dessa dor acabar de uma vez por todas.

Se houver Resto, é só o que eu não consegui me livrar.

Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças (EUA, 2012).

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