quarta-feira, 13 de junho de 2018

"Boa Caminhada!"

...disse meu terapeuta.

- Quando as coisas não fazem sentido, eu vou simplesmente as soltando.
Eu já não fazia tanta questão de ver Eduardo toda semana. Ficar em casa, tocar violão e economizar 100 reais pareciam uma boa ideia.

As questões já não eram tão pesadas; as sessões extras não tão necessárias.
- Estou caminhando bem sozinha.
Estava ali deitada quando relembrei todas as lágrimas que escorreram pelo meu rosto e desceram, umidecendo  a almofada em que recostava minha cabeça; as risadas abafadas quando Eduardo encerrava uma sessão e um chiste desprevenido me pegava.
Havíamos chegado ao fim.
E mais uma vez meus olhos umideceram.
- É como terminar um relacionamento.

Terminamos. 

Talvez tenham outras tantas questões a serem tratadas, mas as que eu carrego já estão suficientemente mais leves. Tomo café todos os dias com meus monstros, levo minha auto-estima para passear e acaricio meu corpo quando este dói muito.

Grata, Eduardo, por me ajudar a eu me elaborar.

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