Via o reflexo de suas costas no espelho do corredor enquanto conversávamos sentadas à mesa da cozinha.
Minha mãe me contava parte de seus 35 anos como advogada civil e criminal na assistência judiciária gratuita, o que sempre comparei como "o SUS da Justiça".
Quando relatou sobre a urgência em atender um caso de agressão e não ter advogados disponíveis para atenderem o caso, batendo a garrafa de água na mesa comparei a cena à ser referência no CAPS ad. Os processos, aos prontuários. O fórum, ao serviço. O escritório, à sala de atendimento. E o amor à profissão era exatamente o mesmo.
Comparei o CAPS a um relacionamento abusivo. Não é fácil ir embora; logo, somente resta uma saída: dar limites à relação para que esta não me mate um pouco mais a cada dia.
Sigo os passos de minha mãe. Sigo seu reflexo enquanto construo minha própria imagem.
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