domingo, 15 de setembro de 2019

Enraizando

Conheci a terapia corporal quando ainda estava no primeiro ano de faculdade. Na realidade, conhecia-a antes de escolher a Psicologia.

Foi em um processo de psicoterapia. Crianças-problema precisam ser escutadas e lá fui eu. Após alguns anos de acompanhamento, perguntei à minha terapeuta da época qual era a sua orientação teórica; essa foi a primeira vez que ouvi falar sobre o corpo em terapia.

A Terapia Corporal e eu não nos vimos mais. Conheci a Psicanálise e me encantei com o encanto de seus seguidores. Apaixonei-me pela Esquizoanálise e pelo afeto que pede passagem, tocando o qua há de mais profundo: a pele. Porém, não consegui sustentar a relação tomada pelo cotidiano e voltei à segurança antiga e psicanalítica.

Mas não era suficiente. Queria escutar o que os olhos, os braços, os pés, o estômago, pulmão, rins, músculos e ossos e todo o resto tem a dizer.
Procurei. Liguei. Verifiquei. Senti.

E assim achei o instituto Raiz de Terapia Corporal em Araraquara (SP).

Mergulhei.
Meio desconfiada em fechar os olhos embaixo d'água, fui me entregando aos poucos. Fui conhecendo as pessoas, seus abraços, suas histórias; os professores-facilitadores de pensamento; fiz as pazes com a Psicanálise-Tótem quando li "A Última Entrevista de Freud" e descobri que ele era um mero homem.

Investi.
Dinheiro, tempo, energia psíquica, direcionei e concentrei orgon.

Acolhi e fui acolhida.
Cuidei e me cuidaram.

E assim fui estruturando uma relação.

Hoje, abandonei exigências para correr para lá. Respiro energizante. Tranquilidade.

E deixemos o corpo falar.

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