sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Intoxicada

Vinha dirigindo para trabalhar. 
Atrasada, pois já faz 1 mês que se queixa da distância, do cansaço, do sono, da saudade das pessoas, do tempo e da falta dele
(apesar de ter tempo de ficar no celular). 
O caminho já é velho conhecido, poderia ir de olhos fechados e aproveitar para dormir um pouco mais. 

Foi-se dando conta de que estava cheia. Estava farta. 
Tocou em seu próprio braço. Um toque suave, carinhoso. O prazer foi sutil e leve. Percebeu como tem sentido falta de toques assim em si mesma e dos outros. 

Percebeu que está intoxicada de informação, de responsabilidades, de afazeres, de compromissos, de metas, prazos, de expectativas. Não há corpo que aguente tudo isso sem prazer, sem carinho, sem descanso em um colo, em uma risada, em um olhar daqueles raros. 

E tudo fez um pouco mais de sentido. 

Desintoxicação não é processo fácil. É necessário. 

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