domingo, 29 de dezembro de 2024

Casa

Quando eu parei de trabalhar intensamente durante uma semana, pude perceber e sentir tudo o que vinha disfarçando (mas não escapando) até então: que todo o alicerce que construímos ao longo de 5 anos me faz uma falta imensa. 

Ao longo dos anos, dia-a-dia, fomos colocando cada tijolo no nosso abrigo sentimental, o deixando forte o suficiente para um vendaval, decorando-o com fotos, presentes, momentos, risadas, limpando com diálogo. 

Contudo, eu me perdi da nossa casa. A cada dia que passava ao lado de outra casa que vinha sendo construída, eu investia um pouco menos naquela estrutura da mais antiga. Estava ali, presente, mas já não queria naquele formato. 

E hoje, sem o frenesi do trabalho de alta adrenalina, eu olhei para a casa e senti falta de estar nela. Olhei as casas ao meu redor e entendi que não são 5 anos ou mais, são dia-a-dias. 
Já não sei se a casa ainda está lá. Só me restam as lembranças do que vivemos nela (e que sou imensamente grata). Mas em 34 anos de existência, eu demorei a entender que não se constróem casas em pouco tempo e que cada dia é um passo para uma casa forte. Infelizmente, basta uma bola de ferro pendurada em um guindaste para destruir o que demorou anos para ser construído. E esse guindaste eu mesma pilotei. 

Então, que eu possa operar esse guindaste em direção ao que realmente precisa ser destruído. 

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