Foi de inundação de cansaço, de não me sentir suficiente mesmo quando eu estou tentando dar tudo de mim.
E não foi no Kung Fu. Foi no trabalho.
Eu tento acertar e me pego pensando se estou no caminho certo, mesmo com tudo dizendo que sim.
Saí do trabalho das 8h30 às 19h e fui direto para o curso de quebramento de madeira. Eu já tinha feito no passado e sabia o que me esperava. Já sei que dói, que não quebra de primeira. Ainda assim, a instabilidade emocional de ter que equilibrar tantas coisas (hormônios, Burnout, falta de férias) acabou vazando pelos olhos, escorrendo e pingando no tatame.
Tentei na segunda vez. Quebrei com o antebraço, com a faca da mão e com o pé. Mesmo na dúvida se eu havia conseguido, se eu mesma tinha feito aquilo, quebrei.
Mas continuei chorando. Não é sobre conseguir ou não quebrar alguma coisa: é sobre aguentar mesmo querendo fugir e ainda assim seguir adiante até o final.
O que não quer dizer, sociedade do espetáculo, que não doa física e emocionalmente. E crescer (dentro e fora do tatame), dói.
Deu certo: alguns hematomas e arranhões, 3 madeiras quebradas e uma peça de teatro, elaborada por um serviço do SUS que fechará as portas em breve, apresentada pela última vez. E mais: dentro de um CAPS em meio a crises, pessoas desacreditando que daria certo, a chuva anunciando que cairia mas que São Pedro segurou até o último aplauso.
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