quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

A Metamorfose

"La Cucaracha"

Não sou do tipo que teme mortalmente os bichinhos de Deus. Coisa que me assusta de vez em quando, mas nada de pânico. Só há um artrópode, da família dos insetos que me causa extremo pavor: a Periplaneta americana, ou para nós, a asquerosa e tão comum barata.

Não queria, mas coloquei uma gravura do que me amedronta (não é um TERROR???).


Acredito que todos os leitores já tenham se deparado com alguma espécie, seja voadora, de esgoto, na cozinha, no banheiro, passando sem ser convidada por debaixo da porta, quando ninfa ainda, em ovos, em qualquer forma horrenda de ser.

Quando li "A Metamorfose", de Franz Kafka, achei que as encararia de maneira mais amistosa, imaginando que ela poderia ser uma versão gregoriana. Enganei-me. Elas continuam feias e nada simpáticas. São marrons. um marrom meio nojento e sujo; poderiam ser de um pretinho básico e invernizado, como as sandálias sonho-de-consumo da Melissa, cujos seus colegas de Classe, os besouro têm; nem têm uma corzinha cáqui como as tão úteis lagartixas; e não são nada fofas como as joaninhas.

Aquelas antenas que não páram de mexer...
As patas com espinhozinhos...
Ela correndo junto em sua direção...
Ah, meus caros, é demais.

E, ora bolas, palmas para elas: são os animais mais resistentes do mundo! Elas merecem nosso respeito, porém, não nossa compaixão.

Há apenas uma barata que eu gosto, simpatizo e anda sempre comigo, nas minhas costas: a Gertrusa. Ganhei em meu antigo namoro, na forma de um chaveiro; hoje ela fica na minha mochila, pendurada, causando muitos sustos mundo afora (alguns eu vejo; quase recebo tapas em minhas costas; mas eu ainda gostaria de ter olhos em parte contrária para ver as outras reações).

Como acabar com elas

Se a dita cuja aparece inesperadamente, seja no lugar inapropriado que for, e ela não for a Gestrusa, o meu último recurso é matá-las com o consagrado chinelo de borracha. Faz-se uma desagradável espalhação de entranhas e fluidos, além de esmagá-las tragicamente e nem sempre funcionar (se não fores cruéis o suficiente, elas saem ilesas).

O que me cabe é descarregar metade de um cilindro de inseticida, preferencialmente aqueles especiais para baratas. Elas vão tentar correr, virar-se-ão, mas continuarão nadando naquela poça venosa. É ela ou eu.
Mas não acabou: o cadáver continua lá. Duas opções: ou as formigas terão jantar, ou eu crio mais forças para pegá-la pelas antenas (com papel higiênico é pior: sentirás, meu caro, o corpo em suas mãos O.O). Isso, claro, se tiver alguém por perto, este que a mate e que a enterre!

E protejam-se...
Elas vão dominar o mundo.

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