Eu me senti como minha mãe, que me dava tchau de pijamas através das janelinhas da porta quando eu ia para a escola.
Acordamos cedo, fiz seu café. Conversamos, disse (umas trinta vezes, só para garantir) para tomar cuidado por lá. Aproveitamos nossos últimos momentos um perto do outro (fisicamente).
Ele ligou para o moto-táxi, tinha de estar às 7:00 em ponto para pegar o ônibus rumo à intitulada Cidade Maravilhosa.
Queria ter ido com ele. Mas meu dinheiro não deixou.
Quando o moto-táxi chegou, ele pegou a pesada mala, o violão, que estava dentro daquela capa preta, montou na garupa; fez-me um aceno com a mão direita e eu retribui, meio escondida atrás da porta por estar de pijamas, olhando aqueles olhinhos cor de jabuticaba madura pelo vidro do capacete. E se foram.
Deitei novamente em minha cama que já se encontrava grande novamente, assim como quando durmo abraçada com um dos meus ursos de pelúcia por não ter a quem abraçar.
Graças a uma bondade de seus pais, vim para São Carlos*. Passei o feriado e o dia seguinte com eles. Fazia a vez de Elzinho, como é chamado pelos familiares.
*obs: desde que meu pai veio para cá, sempre achei que "São" não combinava com "Carlos", mas enfim, gosto daqui.
A todos os instantes eles falavam dele e para onde eu olhava naquela casa, o via. A cama em que dormimos estava grande o suficiente para não ficar apertada quando nós dois dormimos nesta; a cozinha estava vazia sem ele, que enquanto ia conversando comigo ia abrindo a geladeira e pegando as coisas com a naturalidade que ele só faz em sua casa, em São Carlos.
Quando finalmente entrou no programa de conversação online, vi sua carinha de cansaço (acordar cedo, não comer quase nada o dia todo, atravessar a cidade). Ele começou a me contar as novidades e o ciúmes foi crescendo. Ele estava lá e eu aqui. Ele tinha conseguido ir para o Rio de Janeiro sem nenhum custo e eu, por causa do custo, vim para cá. Fiz minha cara de poucas honrarias.
-Eu ligo para você amanhã, aviso quando eu for entrar...
-Não precisa avisar.
-E por que não??
-Por que eu não quero.
Dentro da minha mente eu não iria dar oportunidade a ele para que ele me fizesse de marionete e eu ficasse por todo tempo esperando sua ligação.
-Tudo bem, se não quiser que eu ligue, eu não ligo... - ele respeitou minha vontade.
Imaginem o maior tom de tristeza possível. Separados por X quilômetros de distância, conectados por lembranças, amor e um computador ligado, e ainda sim me sentia diminuta e capaz de deixá-lo triste pelo fato de não querer falar-lhe.
Fiquei por uns 5 minutos com os olhos em banhos d'água, sem falar e nem desligar, apenas vendo seu rosto.
Tudo tem seu lado positivo
Declarei:
-Bom, mas esse é nosso combustível para ir atrás do que queremos. Somos do mesmo faculdade, do mesmo curso, da mesma classe, do mesmo período e somos namorados. É natural que haja uma concorrência, que ainda considero saudável. Motivo-me a ir atrás também.
E quebrou-me ao meio quando disse que se lembrava de mim a todo momento, queria que eu estivesse lá com ele, especialmente quando viu uma menininha parecida comigo quando criança, com o mesmo olharzinho pidão. Sorri. Ele sorriu.
-Vou guardar dinheiro para que da próxima vez você venha comigo!
-Não precisa - meu orgulho não se vence - Eu me viro sozinha.
Ele riu. Eu sorri.
E nos veremos apenas no começo de mais uma turbulenta semana, com aulas, trabalhos, greve de funcionários e expectativa para o Dia dos Namorados.
Geralmente gosto de fazer os presentes para as pessoas que amo, mas houve uma exceção: passeava no shopping com minha sogra e minha cunhada quando vimos, em uma livraria, um objeto peculiar (não, não era um livro). Vi o preço. Acessível. Era este.
É Bem, de Resto depois conto o que é, vá que ele lê... Hahaha!
Não consigo segurar surpresas por muito tempo (há quem o saiba e o diga).
e ai gracinha;
ResponderExcluircrises, amor, vitórias... :)
" Em mais uma noite turbulenta, Menininha Meiga atravessava os campos, sombrios e uivanes, sem medo.Mas, independente do sentimento amedrontante, ela corria, corria e corria, sem saber para onde ia.A noite recobria, mais e mais, as poucas luzes.Num grito desesperador, ela se levanta, vê que não passava de um horripilante pesadelo, na qual um belo anjo, segurava sua mão, enquanto a Menininha Meiga, dormia."
ResponderExcluirIsto é um fato real !!!!
hehe
sem dúvida, crises, amor, vitórias, desastres e...tudo isso e muito mais!!!! hahahahaha