Olá, muito prazer, quer ser meu amigo de verdade?

Desde quando era jovem (os anos correm, faltam apenas 4 para eu começar a usar creme anti-primeiros-sinais) comecei a perceber um fenômeno curioso: há certos momentos em que pessoas que tão somente se conhecem, por força das circunstâncias, se aproximam e por um dia, talvez por algumas horas, trocam idéias, informações e a presença corporal de ambas, estar lado a lado. Uma coisa inimaginável, nunca pensada, tal qual "Nunca pensei que estaria conversando com este ser humano desta maneira". Diria até que vai mais além.
Não é somente uma conversa, uma presença; é um resultado de uma soma. Arriscaria dizer que durante este Fenômeno sem nome, é possível sentir algo: uma sensação prazerosa, uma novidade que flui espontaneamente durante a relação com a pessoa que nunca havia conversado tanto como o fazia no momento.
A primeira vez que me lembro certamente deste Fenômeno foi quando eu ainda era uma criança. Durante a americanizada brincadeira de Halloween "Gostosuras ou Travessuras", juntei-me à mais velha das irmãs japonesas vizinhas do apartamento onde morava; juntei-me tal qual andamos e brincamos juntas durante toda a tarde, e ao cair da noite, juntamo-nos novamente para ir caçar doces pelo condomínio.
Diria que foi o Fenômeno, pois depois daquele dia não nos vimos mais. Não brincávamos mais juntas, mal nos encontrávamos. Entretanto, a lembrança do contato foi tão única que ainda levo adiante. Com um pouco de cuidado, posso percebê-lo acontecer constantemente.
Em seus diversos graus, este Fenômeno toma conta das relações humanas, quebra certos preconceitos e diversas barreiras, abre o coração. Quando ambas (ou demais) pessoas lhe dão continuidade, ele pode fluir e vir a ser uma amizade verdadeira, a mais verdadeira que se possa imaginar e sentir. Pelas amizades que assim se originaram, tenho-as com um carinho tão intenso que quase me entorpeço. Bebo tão intensamente cada conversa, cada contato, pelo fato de não saber quando poderei ter (por perto) novamente.
Arrisco dizer (mais uma vez) que a sensação é de se estar apaixonado(a). É o Fenômeno se manifestando. Uma paixão platônica, ideal [por já sentir amor, conheço tal diferença e evito cair em armadilhas do Fenômeno]. Poderia até mesmo dizer que é amor, mas amor tão puro que só quer ver o outro feliz. Não é a fagocitação da paixão carnal, intensa. É apenas o amor-amigo (já disse algumas vezes por aqui que sou apaixonada pelos meus amigos).
Porém, triste, tristíssimo quando as pessoas não tomam conhecimento do Fenômeno e o deixam passar, como um barquinho de papel pela água que corre na vala da sarjeta: tão carismático, simples, rápido e belo, mas segundos depois é esquecido. É a vida, nem tudo (quase nada) pode ser como queremos, então sobra apenas a lembrança daquele dia, daquelas horas em que se via o próximo com olhos tão abertos e curiosos que o abraçavam, soltando apenas na hora de ir embora (nas vezes que vivenciei, tentei adiar ao máximo para aproveitar cada momento, deliciando-me com a presença de outrém. Sempre que posso, retorno às conversas e contatos - o Fenômeno abriu portas à mais linda amizade).
É bem... O resto deixo por conta:
"Tell me that you´ll open your eyes" (Snow Patrol)
Eu nem bem ganho afazeres e você dispara em postar. Sei lá, não tenho o que dizer, você definiu certos momentos com a mais bela falta de definição. Isso é sentir, apenas, sem descrições e palavras para determinar e limitar, é isso, e ponto ! Gosto disso em você, sempre foi desse jeito anti-linguístico. Besos, chica !
ResponderExcluir"Para se viver, basta sentir.Para sentir, basta viver.E esse ciclo é eterno, é vital, é vivo!"
ResponderExcluir;)
Gostei tanto dessa foto que virou meu plano de fundo!
ResponderExcluir