Não há o que se fazer além.
Chorei por tanto tempo que meus olhos quase não abriam. Minhas pálpebras pareciam laranjas de tão grandes. Só de vê-lo ao entrar no quarto, escorria novamente. O comprimido verde e amarelo faz muita falta.
Expliquei tantas vezes na tentativa de ver solução.
Revelei aquilo que neguei por todo a vida.
Chorei compulsivamente quando ele descreveu "...seu corpo como uma radinho de pilha que não funciona direito e você quer jogá-lo na parede com raiva para vê-lo despedaçado".
Respirei fundo, tirei forças que sei que tenho guardadas para estes momentos e fui ao trabalho. Meus caros jovens nada tem a ver isto. Amo o que estou fazendo; fui por eles, para eles e por meus colegas. Reconheço a importância deles para mim.
Meus olhos ainda estavam pequenos quando cheguei lá, mas foi muito bom ver pessoas diferentes e conversar sobre coisas diferentes.
Quando retornei [devia ter ido direto para casa], não estava. Abriu para mim, propus-me a ajudar, mas desisti quando ele retornou. Não conseguiria olhar em seus olhos sem meu corpo inteiro doer; em especial o meio do peito e os olhos, frágeis e inchados. Mais uma vez adormeci na esperança de tudo passar.
Acordei e ele havia saído, sem muita demora. Era minha chance de não encontrá-lo. Despedi-me, beijei-o, segui pé ante pé, pensando sem achar resposta.
Avoada. Comprei.
Cheguei. Na segunda pergunta escorri novamente. Não pude dar detalhes, é tudo complexo, delicado e perigoso demais para contar. Não havia mais o que se fazer; estava bem apenas por estar ali.
Quando ele chegou eu já sorria. Contudo, ainda doía. Ainda dói.
Lobisomem. A solução: o remédio verde e amarelo.
Não farei isso com você. Não com você. Prometo.
Duas coisas :
ResponderExcluir1 - Sempre há como se consertar algo errado, se esse algo errado não destruiu o respeito, e assim, você assumir que fez algo exagerado;
2 - Remédios não ajudam, apenas mascaram. Difícil, mas os amigos estão para isso, sempre ao lado.
Sem mais palavras, se precisar, só gritar !