domingo, 19 de agosto de 2012

Olho nos Teus Olhos

"Quero ver o que você faz"

Desviante como um carro da estrada esburacada pelas incertezas.
Não consigo olhar nos olhos por muito, seja amigo, seja parente, seja próximo, seja cruzado na rua.
Dá vontade amalucada de tragar toda uma vida, todas as experiências à tona, como um mar em ressaca.
Talvez os óculos (malditos sejam, olhos de vidro!) impeçam que eu manifeste toda a minha vontade de tragar a mente próxima. Se olhar muito por cima, não traço contornos e então consigo apenas uma direção formal. Fica só fácil.

Mas então penso em ti e em todas as possibilidades de futuro. E não consigo trazer isto que não seja como sonho. Como Bill quando criança chupando o dedo incessantemente quando foi ao cinema pela primeira vez e viu loira estonteante, me perco nas minhas quedinhas.

Ideiazinha adolescente. Quando se cresce, reza-se para que ele tenha cabelo; um par de olhos sinceros e vontade de te conhecer infinitamente. E quando se acha, dá um desespero pesadíssimo de que será para seeempre.

Mas, diabos, não consigo ver o que há dentro de teus olhos! Parece que vives tão em outra dimensão, que tento tragar-te, mas foges, nadas para fora, rapidamente. Ou eu também fujo, sei lá os por quês.Tentei uma vez, sem tanta clareza (ainda pouca) de alguns anos a mais, mas firme também de não querer me submeter pelas circuntâncias.
Hoje moras longe o suficiente que ora é interessante, distrai a mente, faz sonhar, cria boas expectativas; mas quando sentamos lado a lado e olhas para mim, o que tem por trás!? Não deixas eu enxergar. Ou eu que não quero?
E ficamos nesse conto de fadas eterno. Assemelha-se talvez um príncipe inalcansável, ou a um bobo da corte extremamente cativante. E eu fico de cima, como uma nuvem, assistindo. Ou pior: mais uma plebéia ou princesa amiga, tanto faz, mas que não passa de mais um par de olhos castanhos.

Penso todas as noites se um dia vás me enxergar.

E de Resto, só para registrar para próxima vez:

O Porto - Agridoce

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