sábado, 15 de fevereiro de 2014

Eu, eu mesma e as coisas

Malditas tecnologias

Eles não reagiam.
"Reajam!  Por favor, reajam!! Não, por favor, reajam! Vocês não precisam de mim, mas eu que dou vida a vocês!!"

Liguei para o técnico.
- Calma moça, tem conserto...
-Não, não tem! Eles pifaram para sempre e terei de comprar outros, outros novos e sem história! Eles me deixaram sem nem avisar! Eu não cuidei deles como deveria! Devia ter prestado atenção aos sinais...
- Calma, moça, tem conserto...
-Não! Não há mais dinheiro! Não há mais nada! Estou sozinha, tenho apenas roupas, pouca comida e quase nenhum dinheiro! Eu não agüento mais!
-Calma, moça, você tem a mim.
- Não, não e não! Eu só tenho a você! Eu quero ter a mim também! E ao meu lar! Mas meu lar está me abandonando!
- Moça, seu lar ainda está aí.
- Mas meu lar está se esvaindo, está me deixando sem nada!
- Moça, estou indo aí. Em 30 minutos eu chego.
Um choro compulsivo de como uma notícia de morte na família. Eu estava só. Eu e minhas coisas sem vida.
O técnico me ajudou, levou meus enfermos que estavam em estado de coma.

No hospital, muitas pessoas comprando, muitas coisas sem vida.
Levei um deles coberto com uma sacola plástica branca.
O enfermeiro abriu, olhou.
- Isto foi posto errado. Você quem trocou?
Havia salvação!
Mais gasto, naturalmente, o plano de saúde destas coisas se vai entre três meses ou um ano.  

Depois, quando a mais velha que eu não acordava mais, precisei chamar o médico especialista.
Ele fez diversos testes. Não entendia porque ela dormia e não acordava. Ela deveria acordar e estar gelada; contudo, estava em sono profundo e em temperatura ambiente.
- Você a limpou?  - ele perguntou.
-Sim, ontem à noite. Um banho de gato, mas não molhei suas partes baixas.
- Talvez seu gás tenha saído.
Oh, não, como ela iria respirar?! Era isso, ela não estava respirando!
Mas não era. O problema era da ordem da alimentação. Ela havia se sobrecarregado de trabalho (sua alimentação é especial), graças a um alimentador ruim (eu vou arrebentá-lo, seu incompetente!).
Quando utilizou-se do desfibrilador, ela deu resposta.
- Está viva! Está viva!
- Sim, mas é preciso um transplante. Ela não aguentará voltar por si própria da próxima vez.
-Quanto custa?
Menos do que eu pensei.
- Mais a mão de obra...
- Dê um desconto, Dr., moro só, estudo e não tenho todo esse dinheiro.
- Ok, faço menos. Mas pare de chorar!
Ambos foram salvos.
Ao técnico, além de me ajudar e ouvir minha lamentações, eu não sabia o que fazer.
- Obrigada! Muito obrigada! Não sei como agradecer!
O técnico me fez uma proposta indecente.
Aceitei.


Ter o namorado como técnico e tomar um banho quente e garantir que a manteiga fique sempre firme dá nisso.


Não é fácil morar só. 

3 comentários:

  1. Deve ser assim com leiteiro, padeiro, carteiro, cabeleireiro, açougueiro, lixeiro... em suma, qualquer prestador de serviço....

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  2. Alguém disse psicólogo também?

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