quarta-feira, 25 de março de 2015

Do Que Não Tem Nome

Só tem nome quando nasce.

Esperava na esquina olhando o trânsito,
Como à espera do primeiro programa na noite.
Mas era bem mais pueril que isso:
Estava há 1,2km de casa e ligo
"Vem me buscar?"
A sensação de estar indo para casa no carro da mãe depois de ser adulta um dia todo.

Enquanto esperava, ela me encontrou.
Tão bela, com cabelos despenteados, um sorriso doce e um olhar fixo. A voz não oscilava, dizia o que queria dizer. Linda. Como podia ser aquilo que dizia?
Se é borderline, sou histérica. E rimos.

Se há mais mistérios entre o olhar e a alma do que conhece nossa vã psicanálise, receio ter de começar uma (de verdade).

Daquilo que não tem nome me assusta profundamente. O monstro que me habita nomeei: Monstro. Choro. Escândalo. Histeria.
Deste do futuro, que sequer sei a expressão ainda não conheço pista. Não sei onde buscá-lo.
Mentira. Sei sim. Mas dói. Prefiro ir dançar.
Dançar feito cisne. Ereto. Dolorido. Lindo.

Apesar do que parece
Ele não está me bicando insistentemente feito ovo quebranto e passarinho nascendo feio e faminto.

Ele está se manifestando, colocando as
asas para fora querendo dançar.

O que advir?

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