Tania: se você não está se divertindo no seu trabalho, algo está errado
Amar o trabalho é igual amar alguém: tem momentos lindos, iguais aos de cinema; no entanto, nem sempre é tão bom assim. Há crises, há desistência, há desistência e depois retorno. há altos e baixos; há tanto tesão no começo e depois a rotina que faz pensar "onde eu arranjava disposição para fazer tudo aquilo?". Há a necessidade de reencontrar o amor adormecido no dia-a-dia.
Contudo, diferente de uma relação a dois, trabalhar envolve um poliamor com várias pessoas (pelo menos na minha profissão). Sempre digo que, quando encontro alguém com quem consigo trabalhar muito bem, tenho vontade de agarrar a pessoa e não soltar mais (escrevi uma dedicatória especial para ele no meu TCC. Faz seis anos).
Sobre ser psi, poderia falar do meu tesão em fazer clínica ampliada, do quanto gosto de ajudar as pessoas a lidarem consigo mesmas e suas relações com o mundo, do quanto adoro ouvir diferentes leituras de caso, do quanto aprecio escutar histórias e ajudar as pessoas a se escutarem (parece fácil, mas tente silenciar sua cabeça e ouvir o que não é dito). Mas o que gosto mesmo é de me divertir, de dançar, fazer arte, passear, conversar e dar risada, tudo isso trabalhando, inventando junto o que é ser psicóloga em cada nova relação.
A melhor forma de olhar para tudo isso, de reencontrar esse amor adormecido no cotidiano, em que essa relação desgastada parece não acrescentar mais nada, é ser. É se deixar levar pelo que precisam que você seja naquele momento: uma companheira de dança, um abraço, uma escuta atenta e silenciosa, uma fala bem colocada, uma interrupção, uma artesã, uma companhia para passear, uma ajudante de cozinha, uma visita, um alguém seguro o bastante para segurar o outro.
Mais do que falar sobre o que é ser psicóloga, adoro escrever sobre o que eu faço. Posso olhar, reolhar, apagar, reescrever até ficar tão bonito quanto verdadeiramente é.

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