O quanto aprecio. Às vezes.
Desde adolescente, desde que meus pais passaram a morar um em cada cidade, sempre amei viajar sozinha. É a melhor definição de que não importa o destino final, o que importa é o trajeto.
Lembro de coisas bastante interessantes que fiz sozinha. Não, não viajando, infelizmente meu gosto por viajar alone se resume apenas pela experiência em apreciar minha companhia enquanto olho a estrada passando diante do meu corpo imóvel.
Sozinha conheci meu primeiro namorado. Sozinha conheci grandes amigos. Sozinha fui fazer faculdade. Sozinha viajei de avião. Sozinha morei dois anos. Sozinha fui ao bar tomar cerveja. Sozinha. Sozinha.
Quando estou com alguém (intimamente), não estou mais sozinha. Esse alguém vira uma parte de mim, uma parte que me deixa mais insegura e mais forte ao mesmo tempo. Divido angústias, dúvidas, planos, presente e futuro. Meu lado que aprecia solidão acaba ficando em segundo plano, não há espaço para solidão quando se está acompanhada. Solidão me faz falta às vezes.
Sentir-me sozinha é buscar minha segurança dentro de mim. É poder ser o que eu quiser sem precisar explicar por quê ou para quem. É como se tudo o que sou fosse novidade a cada dia, como se eu pudesse estar perto apenas de quem me faz bem. Sozinha eu sou quem eu sou.
Claro que quero alguém comigo. Não sou a minha hortelã, auto suficiente o bastante para crescer apenas com rega diária. Se me sinto só demais, busco o coletivo (de 1 a 100000 de pessoas) que dissolva meus defeitos, meus medos, que me misture aos outros. Quando canso de mim, busco descanso nos outros.
Quando me sentir segura novamente, quero dividir o amor que sobra com outra pessoa. Mas isso leva tempo: tempo de elaboração que eu ganho viajando sozinha.
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