domingo, 31 de julho de 2016

Protagonistas

Das próprias vidas 

Dividimos o mesmo palco Mundo. 
Alguns são aplaudidos, outros são vaiados, atiram-se tomates e balas.
Juntos somos protagonistas da mesma peça cotidiana
Mas narcisistas acham que há apenas eles em cena e que o resto é só corpo de baile 
Para dar volume à vida. 

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Estou trabalhando há quase 3 meses. Ainda não me dei conta de toda a onda de intensidade que me inundou desde então. 
Encontro-me com eles e elas de diversas formas e pedem ajuda para poder parar. Dividem o protagonismo da própria vida com pós, pedras, ervas, líquidos inebriantes, inalantes alucinógenos e balas amargas, pessoas adoecidas, relações abusivas, violências gratuitas, sem ter um lugar físico e subjetivo para chamar de próprio. 
Elas tocam no meu âmago íntimo sem saberem.  Testo-me todos os dias para saber se estou preparada. Testam-me para saber se estou preparada.O que mais posso oferecer se não meu corpo inteiro ali, com história, pensamentos, formação, conhecimento, doada a escutar o que tem a dizer e a silenciar? 

Suas linguagens são variadíssimas. Verbais, artísticas, corporais, inquietas, musicais, habilidosas, medrosas, desastrosas, violentas, carinhosas, delicadas, atravessadas, ousadas infinitas. Não se trata mais de escutar só com orelhas, mas de sentir toda a vibração que é trazida. Som é vibração e só compreendemos se captamos a frequência.
A fala é código. Código humano carrega vibração, tom, reação, desencadeia. 

As vibrações que meu corpo sente após os encontros com seres humanos e humanas não tranquilizam. As vibrações tocam todo o corpo e por vezes queremos vibrações leves, contudo são as mais intensas e quase doloridas que soam. E como reajo? 
Estando ali, reagindo junto a eles e elas. Seu cotidiano se repetirá, mas ali uma ruptura tentará ser aberta para que uma fuga possa ocorrer. As fendas podem ser abertas com dinamite, impostas pelo homem no contracurso da natureza, ou como a onda que bate nas pedras insistentemente, todos os dias.


Mar ou dinamite?


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