Olho pela janela da casa que escolhi para estar e vejo o dourado do sol no verde das árvores e no amarelo das flores que tomam conta de toda a arbórea mais próxima. As mais altas, um pouco mais longe, sacolejam como as ondas do mar, se mexendo com a força do vento um pouco desordenadas, mas lindas.
De repente recebo a notícia (por celular, maior companheiro destes tempos modernos) de que uma pessoa conhecida se foi. Jovem, bonita, inteligente, potente; tive um contato, mas não um laço. Soube poucos detalhes sobre a causa da morte, mas suficientes para pensar que a qualquer instante posso ser a próxima ou que pessoas queridas (estas sim) e próximas podem não estar mais tão próximas daqui a inevitáveis instantes.
Abracei-o. "Você é a melhor acontecimento da minha vida".
Todos os dias caminho sem saber para mais perto do fim da jornada, para o escuro que não me deixará mais ver o balançar dourado das árvores todos os dias ou acordar e abraçá-lo para sentir mais perto.
Pois saibam que, neste momento, ainda tenho planos. E que estou feliz.
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