terça-feira, 1 de novembro de 2016

Menos É Mais

Mas como?

O eu-corpo ansioso não absorve essa informação minimalista. Processa - recebe, tritura, mói, recompõe, reembala, faz um novo produto -,  mas não digere e transforma em energia. Acha lindo, como as obras de arte da Bienal de São Paulo, mas não toca no âmago.
- Um dia vou compreender. Quando ficar mais madura - imaginando-me daqui a 15 anos, onde ainda estarei escrevendo, ouvindo os clássicos do rock 80´s.

E como tudo que me faz realizada, vou na direção contrária, nadando contra a maré, afinal não sou sereia de ondas fáceis. Quero dar toda minha energia, meu sangue, minha atenção e meu estômago para o que me realiza como nada mais: a profissão. E de quebra dou minha saúde, minha disposição, meu corpo, minha juventude, meus vinte e poucos anos para que façam o que quiser com eles.

Há medo, sempre houve, Ao mesmo tempo que ele me domestica, quando ele se distrai fujo sem perceber, saio libertando tudo o que ele arrebanhou. Livre. Livre. Livre. Livre. Livre. Livre. E Livre.
E de quem é a culpa? Comigo não morreu!

Um dia a culpa chega e eu preciso lidar com ela: abraçá-la, reconhecê-la, acariciá-la, pois ela é uma parte minha que vem me visitar quando liberto tudo o que o medo aprisionou e percebo que está tudo um quase caos. Neste processo coloco as coisas nos seus estábulos e prometo que sairei para passear com cada uma por vez. Todavia, ou o medo toma as rédeas novamente ou toda a pulsão se agita e pede por passagem.

Ao invés de domadora de sentimentos, preciso aprender a ser encantadora de emoções.

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