quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Pela Última Vez

Adeus. 

Eu já perdi as contas de quantas vezes eu me despedi de você, Américo. A primeira aconteceu há sete meses atrás e foi uma dolorosa surpresa. A segunda foi presencial (agradeço por você ter respeitado nossa história e ter dirigido até aqui só para isso). As demais (já perdi as contas) aconteceram em um processo longo, lento, dolorido. A esperança de que você voltaria foi se apagando até sobrar uma pequenina luz distante dentro de um armário escuro. Você foi parando de me entregar bilhetes por debaixo da porta do guarda-roupa que dava acesso à sua Nárnia. Algumas vezes eu os queimei para apagá-los, não olhar e não lembrar. Mas o mais difícil disso tudo é que eu não consigo queimar as suas lembranças da minha memória.

Aos pouquinhos, diferente do que haviamos combinado no começo, fui cortando cada linha do que você chamava de laço: entreguei suas roupas, escondi seus presentes, me desconectamos das redes virtuais, apaguei seu telefone. O laço se tornou uma amarra que eu precisei libertar. Sobrou apenas uma finíssima linha, o fio de Ariadne que indica o caminho para a luz dentro do armário escuro. Essa linha se chama carinho e gratidão por ter acontecido o nós. Não sei se essa luz é como as estrelas, que de muito longe parecem meros pontinhos brilhantes, mas são muito maiores que o sol. Todavia, são impossíveis de chegar.

E ontem eu me despedi pela última vez. Eu te levava no meu carro até o aeroporto de Viracopos e você estava fardado (o que nunca vi). Você me beijou, nos abraçamos e seguiu para pegar o avião. Segui para casa. Eu não teria notícias suas por cinco anos.

Antes você dizia que queria me ver envelhecer. 

Como e aonde estaremos daqui cinco anos? 

O
Tempo
Dirá.

Adeus, Capitão. 



Como não pode deixar de ter: 



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