quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Quando Chorei no Ônibus de Novo

O peito apertou, a garganta fechou. Veio uma saudade súbita do meu pai ao ver a foto da sua bicicleta apoiada na parede, com o capacete a garrafa d'água compondo o quadro. E claro, sempre ele: Barbosa, o cachorro que brotou no quintal anos atrás. As lágrimas molharam a máscara ao pensar que essa pandemia nunca acaba para poder visitar meu pai com tranquilidade. 

Mais cedo, conversava com um parceiro de equipe sobre nossos pais. Depois de me presentear com tomates-cereja do seu quintal, papeamos na mesa do almoço sobre os sábios e preciosos que eles nos deram.
Trocamos figurinhas:
- Conversava com meu pai embaixo da árvore - ele disse. 
- Já eu e meu pai, extendíamos o café da manhã até às 11h30! 

Pai: você é mais importante do que sabe. 
Você é pai-presente. 

Te amo. 

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