Sou uma adepta às finalizações. Sempre digo que uma finalização digna é uma forma de honrar toda a jornada. Claro que minha vida não se faz somente por belos encerramentos, mas, sempre que posso, aprecio encerrar os ciclos de forma cuidadosa.
Contudo, houve um encerramento que eu não escolhi.
Passaram-se quatro anos desde que eu me deparei com um vazio do tamanho do meu corpo inteiro. Passaram-se quatro anos desde os dias que eu chorava diariamente sem entender o que eu tinha feito de errado, somado à esperança que eu nutria através das mensagens no celular que eu recebia todas as manhãs mesmo depois do adeus. Passaram-se dois anos desde o momento que meu coração voltou a vibrar mais forte por alguém e eu me sentir novamente completa.
Contudo, como um membro-fantasma, tem uma parte de mim que não existe mais e ainda dói. E pior: gera sintomas.
Ontem saí do espaço que eu mesma escolhi voltar (e sabia muito onde estava me metendo) destruída. Saí sem agradecer, entrei diretamente no banheiro pensando se aquele ser humano que mexe nas minhas feridas de forma tão delicada e dura, imparcial e acolhedora, sabe como dói. As lágrimas caíram ao chão e eu não tinha vontade de sair. Doía novamente. Saí torcendo para não ter ninguém na sala de espera; passei ilesa e me dirigi à extensão do meu inconsciente: a escada de incêndio.
Quando sinto que ainda não estou pronta para voltar ao social depois de tantos xeques-mates, me escondo na escura e úmida escada de incêndio. Chorei sozinha enquanto sentia a falta de um abraço de um transeunte qualquer que evitou usar o elevador. Eu não tinha respostas para as perguntas que me faziam chorar tanto.
Ao final de um tempo que não sei calcular quanto, desci os degraus ainda com os óculos embaçados e refratados pelas lágrimas que estavam neles.
Ao entrar no carro, encostei a cabeça, suspirei e pensei:
- Preciso comprar feijão.
Descobri hoje de manhã: Não Vou Ficar - Tim Maia
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Expresse-se!