Mãe,
hoje conversávamos ao telefone quando você se queixou da falta de ligações dos seus três filhos, apesar das suas mensagens mandando (in)diretamente que você conversar.
Justifiquei que seus três passarinhos estão cotidianamente na corda bamba da vida adulta: se equilibrando e caminhando sem deixarem cair sonhos, casamento, amores, filha, estudos, trabalho, amigos, família.
Você se acalmou quando disse que também não conversamos sempre com meu pai; percebi o ciúme se desfazendo em sua voz. Compreendeu que seu cotidiano, que antes era cheio de compromissos em sua agenda abarrotada de papéis, boletos, nomeações como advogada da assistência judiciária gratuita, telefones, agendamento de audiências e júris, foi ao pouco se modificando para uma rotina tranquila, onde você escuta os pássaros, acompanha os horários da balsa, faz biscoitinhos de nata e frequenta o culto da igreja.
E a saudade dos filhos vem.
Eu prometo me atentar mais aos seus áudios de sete minutos, as mensagens de "Bom dia!" decoradas com corações cor-de-rosa, ursinhos e brilhos, os vídeos do Youtube com alguma informação, mesmo que duvidosa (como: "Você sabia que não pode guardar cebola aberta na geladeira?").
Amo os vários jeitos que você se faz presente todos os dias. Mesmo longe.
Te amo.
Para rir (e lacrimejar): Dona Helena - Especial de Ano Novo
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