Menos esperada do que nunca, corri para o banheiro quando não pude mais conter o vômito de lágrimas que já estava saindo involuntariamente pelos meus olhos.
Às lágrimas não cessaram por 1 hora ininterrupta. Eu não conseguia parar de chorar ao pensar como fracassei abandonando o tatame, como não honrei minha faixa com o conhecimento que meu corpo já deveria ter aprendido, como uma onda de ira (que ainda a sinto em minha mandíbula dolorida de tanto apertá-la (e que ao final virou tristeza ao escutar novamente minha voz ecoado irritada e dando limite a quem rompeu com os meus).
Saí míope e vermelha. Peguei rapidamente meus pertences e saí sem olhar para os lados. Fracassei.
Fracassei.
Fracassei.
Pedi ajuda à sociedade parceira, afinal não é normal chorar tanto depois de um treino mau sucedido de Kung Fu.
Escutei, chorei, concordei, ri, agradeci.
Contudo, em meio a tudo isso, curiosamente eu quase não fico doente. Raras as vezes que tenho qualquer disfunção orgânica que me atrapalhe no dia-a-dia. Atribuo tal saúde à elas, as quais eu tenho raiva quando aparecem nos momentos inoportunos, como visitas que não foram convidadas e a todo tempo molham o meu rosto.
Posso ter adoecimentos em potencial de muitos tipos, mas algo me diz que feliz é quem chora e desafoga a quem segura e o pulmão não se completa com ar, mas com água das nossas mágoas.
Feliz é aquele a quem tem para pedir ajuda.
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