domingo, 14 de maio de 2023

O Futuro de Uma Ilusão

Eu não queria escutar a parte dura e capitalista do por quê fazer o curso de Instrução de Kung Fu: para ajudar a academia a crescer. Inclusive financeiramente. 

Nunca fui boa com comercialização de qualquer coisa. 
Durante o curso, o que eu quis escutar que a Arte Marcial ajuda as pessoas a terem auto-estima, melhor saúde, mais disposição, etc. e por isso a nossa ajuda é importante. Escutar sobre a capitalização de um empreendimento me desanimou. 

Eu entendi que não é só de boa vontade que uma academia (e a família que lá reside) e sustenta. Juro que entendi. 
Porém, para mim, trabalhadora do SUS, que sonha e anseia por uma sociedade mais igualitária, justa, saudável e segura para todos os seus membros, é desconfortável assumir que há dinheiro envolvido e por isso devemos ser prestativos e atenciosos. Depois de fechado o contrato, a disponibilidade e atenção se mantém e a responsabilidade financeira também. O maior mediador parece ser o financeiro e não o desejo. 

Bem que eu queria poder falar com ele sobre isso. 
Mas não há abertura. 
E pior: não há tempo. Nunca há tempo. Só há o tempo de pouquíssimos minutos entre uma aula e outra. 
Queria poder dizer: "Sim, estou aqui pelo desejo. Estou aqui pelo quão a Arte Marcial pode transformar as vidas". Ali é o retorno financeiro, mas talvez não fosse o momento de dividir esse peso. 

E eu me calo. Calo-me diante da falta de vontade em disputar qualquer ponto de vista. Se não há escuta, não há diálogo. 

Mesmo calada, eu sigo. Sigo pelo desejo em ser artista marcial e mudar vidas. 

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