Nunca fui boa com comercialização de qualquer coisa.
Durante o curso, o que eu quis escutar que a Arte Marcial ajuda as pessoas a terem auto-estima, melhor saúde, mais disposição, etc. e por isso a nossa ajuda é importante. Escutar sobre a capitalização de um empreendimento me desanimou.
Eu entendi que não é só de boa vontade que uma academia (e a família que lá reside) e sustenta. Juro que entendi.
Porém, para mim, trabalhadora do SUS, que sonha e anseia por uma sociedade mais igualitária, justa, saudável e segura para todos os seus membros, é desconfortável assumir que há dinheiro envolvido e por isso devemos ser prestativos e atenciosos. Depois de fechado o contrato, a disponibilidade e atenção se mantém e a responsabilidade financeira também. O maior mediador parece ser o financeiro e não o desejo.
Bem que eu queria poder falar com ele sobre isso.
Mas não há abertura.
E pior: não há tempo. Nunca há tempo. Só há o tempo de pouquíssimos minutos entre uma aula e outra.
Queria poder dizer: "Sim, estou aqui pelo desejo. Estou aqui pelo quão a Arte Marcial pode transformar as vidas". Ali é o retorno financeiro, mas talvez não fosse o momento de dividir esse peso.
E eu me calo. Calo-me diante da falta de vontade em disputar qualquer ponto de vista. Se não há escuta, não há diálogo.
Mesmo calada, eu sigo. Sigo pelo desejo em ser artista marcial e mudar vidas.
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