O Feitiço Virou Contra o Feiticeiro.
Na primeira vez que o vi já sabia que havia um oceano inexplorado
e revolto.
Dentro do caldo primordial, não houve perdão social.
E quando nasceu
Ele também não perdoou.
Quando veio a mim, a todo momento eu o convidei a traçar novas linhas de fuga
Desvios dos desviantes para o seu próprio bem (e de todos).
Contudo, em algum momento,
Ele já dizia
Que o amor, a obsessão, o ódio e a vontade de morte
Dele e minha
Chegaria.
Nas tentativas de novas rotas
(pois haja coragem para aceitar e confiar)
Eu o incentivei a permanecer.
Apresentei novas pessoas, novos espaços, novas salas.
Acolhi e defendi quando uma afetação se formou,
Aguentei e expliquei o quão comum era seu encanto
e o quanto fazia parte de tudo o que estávamos atravessando.
Houve uma guia para o caminho.
Escutei, considerei, mas tomei um atalho.
Um caminho mais rápido e que pareceu seguro.
Enquanto caminhava com cuidado,
Pediu a presença do meu corpo
Do toque
Da confiança.
Apresentou-me enigmas difíceis de decifrar.
Aceitei.
Ainda assim, a onda foi crescendo nas minhas costas sem eu olhar para trás.
Olharam e escutaram por mim.
E acenderam a tocha de perigo iminente à vista.
E então um tsunami superficialmente estático, mas não por isso menor, se iluminou
e inundou a sala, profissionais, a família e ele próprio.
Mas ao contrário das previsões, em nenhum momento eu senti medo.
Estava e estou disposta a parar de frente a essa onda gigantesca e acreditar
Que eu seria o litoral que ainda poderia conduzí-la
Somente com o vínculo, a confiança
e a esperança de fazer perceber quais placas tectônicas se moveram
Gerando tamanho anúncio de morte.
Inisti que poderia estar com aquela ameaça
para encará-la de frente.
Desafiar a fantasia para acolher, suportar e segurar o caos real e simbólico.
Protetivamente não permitiram.
Minha escolha então foi desaparecer por hora na esperança de poder
Em algum momento
Olhar de frente
E escutar.
Ele, ela, eles, elas, elxs, elus, eu:
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